Sexta-feira, 24 de Abril de 2015
Frankenstein, de Mary Shelley

 

As melhores ideias podem ser perigosas

 

Mary Shelley começou a escrever Frankenstein quando tinha apenas dezoito anos. Simultaneamente um thriller gótico, um romance apaixonado e um conto de advertência sobre os perigos da ciência, Frankenstein conta a história do estudante de ciências Victor Frankenstein. Obcecado em descobrir a origem da vida e conseguindo animar matéria inerte, Frankenstein monta um ser humano a partir de partes do corpo roubadas; porém, ao trazê-lo à vida, recua horrorizado ante a fealdade da criatura. Atormentada pelo isolamento e pela solidão, a criatura outrora inocente vira-se para o mal e desencadeia uma campanha de vingança assassina contra o seu criador, Frankenstein.

Frankenstein, um best-seller instantâneo e um antepassado importante do terror e da ficção científica, não só conta uma história aterrorizante, como também suscita perguntas profundas e perturbadoras sobre a própria natureza da vida e o lugar da humanidade no cosmos: o que significa ser humano? Quais são as responsabilidades que temos uns com os outros? Até onde podemos ir na manipulação da Natureza? Na nossa época, cheia de notícias sobre a engenharia genética, doação de órgãos e bioterrorismo, estas questões são mais relevantes do que nunca.

 

Para muitos leitores, que talvez só conheçam Frankenstein em segunda mão, o original pode ser uma surpresa. Quando Mary Shelley o começou, tinha apenas dezoito anos, embora já fosse amante de Shelley e amiga de Byron. No seu prefácio, a autora explica como ela e Shelley passaram parte de um verão húmido com Byron na Suíça, divertindo-se a ler e a escrever histórias de fantasmas. A sua contribuição foi Frankenstein, uma história sobre um estudante de filosofia natural que descobre como transmitir vida a uma criatura construída a partir de ossos que ele próprio recolheu em cemitérios. A história não é um estudo do macabro, mas sim um estudo sobre como o homem usa o seu poder, através da ciência, para manipular e perverter o seu próprio destino, e isso faz com que seja um livro profundamente perturbador.

 

Mary Shelley (c) Richard Rothwell.jpg

Mary Shelley (nascida Mary Wollstonecraft Godwin, conhecida como Mary Wollstonecraft Shelley) foi uma romancista britânica, contista, dramaturga, ensaísta, biógrafa, escritora de viagens e editora das obras do seu marido, o poeta romântico e filósofo Percy Bysshe Shelley. Era filha do filósofo político William Godwin e da escritora, filósofa e feminista Mary Wollstonecraft.

Mary Shelley foi levada a sério como escritora ainda em vida, embora os críticos tenham muitas vezes deixado escapar o tom político dos seus livros. No entanto, após a sua morte, foi principalmente lembrada apenas como mulher de Percy Bysshe Shelley e como autora de Frankenstein. Só em 1989, quando Emily Sunstein publicou a sua biografia premiada Mary Shelley: Romance and Reality, é que se analisou pela primeira vez de forma exaustiva todas as cartas, diários e obras de Shelley no seu contexto histórico.

Os estudiosos consideram agora Mary Shelley uma grande figura Romântica, importante pela sua obra literária e pela sua voz política como mulher e liberal.



publicado por 1001mundos às 09:33
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